Ludi.Cidade

Curitiba, Brasil

Esta proposta fez parte do projeto “Di.Ver.Cidade – Olhares de amor por Curitiba” que consiste na revitalização de um percurso ao longo da Av. Cândido de Abreu, Br. do Serro Azul, Travessa Nestor de Castro e Al. Augusto Stellfeld. Cada um dos escritórios convidados a participar do projeto ficou com um trecho do percurso. O Escritório Saboia + Ruiz propôs a intervenção na Al. Augusto Stellfeld entre as ruas Brigadeiro Franco e Des. Motta.

Na quadra da Alameda Augusto Stelfeld, localizada entre as Ruas Brigadeiro Franco e Desembargador Motta, propomos uma transformação obedecendo, acima de tudo, a critérios de urbanidade (qualidade urbana).

Nosso objetivo é recuperar o espaço público do pedestre. Através da redução de canteiros e obstáculos – mas preservando, em grande parte, as árvores e principalmente o correto desenvolvimento de suas raízes – as calçadas voltam a assumir a sua máxima amplitude física e visual, o que permite o bom deslocamento e o posicionamento estratégico de locais de descanso e entretenimento (bancos e parquinhos). A calçada, para dar continuidade ao trajeto DI.VER.CIDADE, é toda em petit -pavê negro, isto sim, num manifesto desejo de neutralidade e descanso visual, quebrado apenas nas áreas de grande permanência por um ritmo de faixas bicolores. Onde se circula o piso é estático, onde se permanece, o piso agrega movimento. Os canteiros das árvores, dada à variação da extensão das raízes, agregam ludicidade à composição assumindo formas ovoides de tamanhos diversos. A forma curva irregular nasce da necessidade das raízes existentes.

Na passagem no meio da quadra de acesso a um condomínio privado, o espaço público é recuperado. A circulação de veículos, agora elevada ao nível da calçada, é obrigada a desacelerar e ceder espaço de permanência às pessoas. Aqui os canteiros ovoides se transformam em bancos elevados, sempre posicionados à sombra das árvores. Nenhum banco sem uma sombra.

A acessibilidade universal foi garantida também em todos os cruzamentos, retirados da curva da esquina e deslocados para o início da rua, onde assumem menor extensão e facilitam a travessia. Nestes pontos a guia rebaixada de pedestres foi redesenhada, ampliada e proposta com materiais nobres como o granito flamejado, também sugerido para toda a extensão do meio-fio, proporcionando um corte exato, preciso e durável. A cidade merece materiais nobres porque apostamos no futuro. Serão nos cruzamentos, os pontos de maior fluxo de pessoas, onde posicionaremos as lixeiras públicas. O desenho urbano deve nos ajudar a ser cívicos.

No encontro da Alameda com a Rua Desembargador Motta, novamente recuperamos para o pedestre o espaço ocioso de estacionamento do veículo privado. Aqui, dada à extensão da calçada, o espaço permite abrigar um parquinho infantil e amplas áreas de permanência. A iluminação pública, proposta em duas escalas reguláveis (a rua e a do transeunte), garante a segurança, incentivando o uso noturno dos espaços devolvidos aos cidadãos. Não é um simples desenho, é um projeto com critérios de urbanidade.

Ano: 2015
Local: Curitiba, Paraná, Brasil