Concurso como prática
Curitiba, Brasil
Curitiba, Brasil
A arquitetura produzida em concursos sempre teve um forte vínculo com a academia. No caso do Paraná, desde as primeiras equipes premiadas em concursos de projeto no início dos anos 60 até os dias de hoje, a presença de professores-arquitetos nas equipes tem sido constante. Foi também no âmbito universitário, no ambiente de debate sobre o ensino da arquitetura e da produção arquitetônica contemporânea, onde se originaram majoritariamente as equipes paranaenses participantes em concursos – uma tradição que perdura até os dias de hoje.
A prática de concursos interessa também a todos aqueles que alimentam grandes expectativas a respeito da prática profissional e, talvez, por isso mesmo, muitas vezes enfrentam maior dificuldade de inserção no mercado imobiliário. Buscam a oportunidade de produzir projetos relevantes, fundamentalmente lugares públicos: onde a encomenda é aberta o suficiente para permitir abordagens diversas; onde a competição entre pares e o julgamento de especialistas impõem um exercício intelectual intenso e a necessidade de materializar propostas contundentes, capazes de atender e transcender o problema funcional, programático e orçamentário.
Nos deparamos com o desafio de organizar com clareza e unidade 252 premiações entre 1948 e 2020. Como transmitir ao visitante as diversas facetas deste enorme e inédito acervo? A exposição deveria ser atraente e compreensível para os que ali passassem sem grandes expectativas e, ao mesmo tempo, oferecer aos mais interessados informações relevantes. Queríamos também que a exposição refletisse seu vínculo com as escolas de arquitetura, que se aproximasse da atmosfera de um grande ateliê de projetos e que a arquitetura do Museu Oscar Niemeyer fosse parte integrante da expografia, ressaltando e combinando seus aspectos tectônicos. Os elementos expositivos foram dispostos de forma a explorar a geometria estreita e profunda da Sala 1 (9 x 51 metros), enfatizando um olhar em perspectiva da prática paranaense em concursos ao longo dos últimos 72 anos, sem deixar de prestar fundamental homenagem aos grandes mestres precursores.
Quarenta estudos preliminares foram selecionados pela curadoria para representar a força e a diversidade da produção da arquitetura paranaense em concursos. Esses projetos foram selecionados em grupos, de acordo com suas características programáticas.: Delicadas maquetes de papel dão forma a todos os projetos, o que nos faz refletir sobre as arquiteturas perdidas ou aquelas que nunca ganharam vida como obra construída, mas que permanecem como fundamentais precedentes arquitetônicos.
Numa das paredes laterais da sala, uma linha do tempo com 45 metros de comprimento faz o registro cronológico de 252 premiações em 165 concursos. Essa imensa parede com os nomes de 402 profissionais reflete a intensidade dessa produção coletiva, a dinâmica de formação de equipes e como a situação política e econômica do país influenciou numa maior presença ou ausência de concursos.
Na parede oposta à linha do tempo foram dispostos cinco infográficos com cinco temáticas diferentes: cronologia dos projetos e aqueles que lograram ser construídos, as origens das equipes e para onde projetaram, as relações entre os arquitetos participantes de concursos, as trajetórias profissionais e a presença das mulheres nas equipes.
Disponibilizados pelas famílias de Rubens Meister, José Maria Gandolfi e Lubomir Fiscinski Dunin e pelos arquitetos José Sanchotene e Leonardo Oba, foram emoldurados 30 desenhos e fotos de maquetes originais, uma mostra da expressiva representação da arquitetura feita à mão pelos arquitetos no período anterior à revolução digital. Esses elaborados desenhos demonstram um enorme domínio da geometria e o inseparável vínculo entre concepção e representação no processo criativo.
Por fim, na parede oposta ao acesso da sala, no ponto focal dessa visão em perspectiva, é projetado um filme-documentário, que apresenta análises de pesquisadores sobre o tema e o relato de várias gerações de arquitetos que contam na própria voz a experiência de participar de concursos. Um emotivo e histórico registro desta produção. Desejamos que esta mostra seja capaz de sensibilizar criticamente os visitantes e o poder público frente à importância de promover concursos públicos e que emocione e incentive as novas gerações de arquitetos e pesquisadores. É uma história que não tem fim.
Resultado da pesquisa da curadora Elizabete França ressaltando a importância da arquitetura paranaense em contexto nacional das últimas seis décadas, o livro Concurso como Prática celebra a exposição realizada no Museu Oscar Niemeyer. A publicação conta com textos de Paulo Bruna, Fabiano Sobreira, Karina Scussiato Pimentel, Elizabete França, Fábio Domingo Batista, Alexandre Ruiz da Rosa e Marina Oba. Ao mesmo tempo, a publicação celebra a arquitetura paranaense apresentando 252 premiações em 165 concursos de arquitetura com fotos de projetos, maquetes e desenhos de cortes e plantas baixas apresentados na exposição.
Ano: 2021
Local: Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, Paraná, Brasil
Curadoria: Elizabete França
Autores: Alexandre Ruiz da Rosa, Fábio Domingos Batista e Marina Oba
Fotografia: Leonardo Finotti
Realização: Museu Oscar Niemeyer, Governo do Estado do Paraná, Ministério do Turismo e Secretaria de Comunicação Social e da Cultura