Casa Bazzotti

Curitiba, Brasil

Um casal de meia idade com dois jovens filhos nos procurou para fazer um projeto. Queriam viver numa casa aberta e, ao mesmo tempo, sentirem-se protegidos. Desejavam que os espaços fossem integrados, sem ser excessivamente grandes. Queriam ter um quintal cheio de plantas, um pomar e uma horta, além de poder passar as noites olhando as estrelas e as luzes da cidade.

O terreno era estreito e profundo (15x45m) com uma declividade de aproximadamente 9m entre a rua e a divisa dos fundos, com vistas privilegiadas de toda a cidade, incluindo a Serra do Mar. Não por acaso, o bairro onde a casa se encontra leva o nome de “Vista Alegre”.

O Norte está localizado aos fundos do terreno e as melhores vistas ao sul. A estratégia, então, foi pensar numa solução capaz de resolver adequadamente a insolação dentro de todos os ambientes da casa e explorar o potencial de vistas que o terreno oferecia.

No centro da casa abriu-se um pátio vinculado à face leste, permitindo que o sol invada, desde o amanhecer, todos os seus ambientes.  Este recinto, transversal ao jardim lateral, rompe a linearidade do terreno. É um lugar protegido e ensolarado que, ao mesmo tempo, permite uma visão serial entre os espaços de estar da casa: conectando visualmente as salas entre si, os jardins e as vistas para o bairro. A cota elevada da casa permitiu que pensássemos numa série de generosas aberturas que emolduram diversos momentos da paisagem do entorno.

Protegido por um grande balanço frontal, o pavimento térreo abriga a garagem e duas opções de acesso à casa. Uma entrada interior e mais protegida, vinculada ao hall de acesso e à escada e elevador internos, e outra externa, que convida o visitante ou morador a ascender gradualmente, explorando as vistas para o bairro e jardins, antes de entrar, de fato, na casa.

No primeiro pavimento, separados pelo pátio central estão a sala intima, a sala de jantar e o estar com lareira.  No lado oeste localiza-se todo o setor de serviço e circulação vertical, organizado como uma barra funcional que se prolonga para o quintal dos fundos. Este volume, de sul a norte, se prolonga até a cota mais alta do terreno gerando um canteiro elevado destinado à horta.

No segundo pavimento estão localizados a biblioteca/escritório, a suíte do casal e outras duas suítes para os filhos. Este pavimento é conectado ao nível inferior pelo pé direito duplo da sala de estar/lareira. Vinculado ao escritório está o acesso ao terraço superior – uma laje plana sombreada que permite ter uma visão de 360º da paisagem do entorno.

Construtivamente, a casa foi concebida para otimizar ao máximo o aproveitamento da luz e calor do sol. As paredes são duplas: com alvenaria de bloco de concreto externamente e, internamente, uma camada de 7cm de lã de rocha e drywall. Desta forma, grande parte do calor ganho ao longo do dia é preservado no seu interior. Toda a água coletada na cobertura é armazenada num reservatório para reaproveitamento.

Estruturalmente, para conseguir vencer o vão da laje em balanço, foi adotada uma solução de laje do tipo caixão perdido, com enchimentos em EPS e capa inferior de concreto aparente. Todos os tetos da casa não têm a presença visual de vigas, para isso as lajes foram alinhadas com o fundo destas.

De certa forma, e não sem grande esforço, buscou-se neste projeto atender a insuperável tríade vitruviana: funcionalidade (organização dos ambientes e conforto), estrutura (com o uso de técnicas de construção contemporâneas) e beleza – esta última entendida como uma aproximação (através de aberturas, recortes, visuais e percursos) dos habitantes da casa com o entorno, tanto o construído como o natural.

Ano: 2017
Local: Curitiba, Paraná, Brasil
Área: 370 m2
Fotografia: João Vitor Sarturi