Uma janela ao homem
Le Corbusier se extasiava com as vistas. Nas suas visitas ao Brasil ele emoldurou as paisagens naturais do Rio de Janeiro em seus expressivos croquis. Aqui resolvemos inverter esta lógica. A partir de seu olhar e de seus registros, tentamos emoldurar o arquiteto estrangeiro: a origem de suas ideias e, consequentemente, parte de seu legado ao processo criativo da Arquitetura Moderna Brasileira. Criamos uma janela ao homem, ou seria um relicário?
Sabemos da impossibilidade de entender como realmente pensava Le Corbusier, como bem expressou seu biógrafo Nicholas Fox Weber, a partir de um dito de Mark Twain: “real life is led in his head, and is known to none but to himself”. Mesmo assim, decidimos nos aproximar, táctil e visualmente, ao seu interesse pela realidade, pelas forças telúricas e pela própria existência do homem.
“But since man is a product of nature, architecture will be a kind of logarithm of nature. Nature-its laws, its admirable principle and irrevocable organization, its classifications, its groups, its infinite diversity, its unitarian mathematics-will stamp its lesson in the heart of the architect and not in the washes of the design sheet.” (LE CORBUSIER. When the Cathedrals Were White. New York: McGraw-Hill Book Company, 1947, p.117.)
As lições da natureza gravadas no coração do arquiteto estão presentes nos objetos que LC colecionava: pedras, conchas, troncos e ossos… Na lista de seus pertences pessoais, mantidos pela Fondation Le Corbusier, verificamos 73 pedras, 27 galhos, 57 conchas e 18 ossos. Vemos seu interesse manifestado em croquis e pinturas e materializado nas suas propostas arquitetônicas e urbanísticas. Poderíamos associar as pedras às formas arredondadas ou ameboides de seus desenhos, os galhos aos sistemas de organização ou circulação de seus projetos, a concha remeteria à proporção áurea e os traçados reguladores que tanto pregava, e o osso à estrutura, ao encaixe e à articulação das partes.
Processo
Exposição
Ano: 2019
Local: Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, Paraná, Brasil
Concepção: Cremme – Editora de mobiliário
Expografia: MNMA
Desenho gráfico: Regular Switch
Realização: Museu Oscar Niemeyer e Governo do Estado do Paraná